terça-feira, 18 de junho de 2019

Rainhas da Liberdade


No passado 10 de Junho fui fazer uma visita às abelhas, verificar o estado delas de criação, reservas, estado sanitário, limpeza de ervas em redor das colmeias e colocação de líquido atractivo nas armadilhas para as vespas.
Como a nível de produção de mel este ano vai ser nula, levei alguns núcleos para, caso houvesse essa oportunidade, criar uns enxames novos.
Fui também introduzir quadros com cera nova num enxame que tinha já iniciado um favo na prancheta. Este enxame entrou por livre e espontânea vontade numa caixa isco existente no apiário com 4 quadros de cera usada e um toalhete “apanha enxames”.
Um belo dia fui dar uma espreitadela nos enxames e apercebi-me da existência de vida naquela caixa, levantei e verifiquei que já ocupava os quadros existentes e tinha já um pedaço de favo pendurado na prancheta.
Como por vezes o tempo tem passado depressa, acabamos por perder um bocado da noção da sua passagem. Neste caso, o que era apenas um pedaço de favo que nem do tamanho de uma mão, era desta vez do tamanho dum quadro lusitano, já com criação e mel. Ao lado já tinham outro favo iniciado. Após tratar deste enxame, com boas reservas de mel e pólen, algum curioso que nunca me tinha apercebido, um rosa a fugir para o roxo. Algum cinzento, já tinha visto antes mas apenas à entrada das colmeias e não armazenado nos favos e em maior quantidade. Como sempre, no “calor do momento” nem lembra as fotografias. Queria era apreciar e arrumar para as deixar sossegadas.
Os restantes enxames lembraram-se todos de enxamear, estando todos com alvéolos reais. Não era por falta de espaço, tinham sido desdobrados no inicio da primavera e tinham 5 quadros de cera nova, entretanto ocupada com reservas e criação. Mas muita criação e reservas cabiam ainda. Já há muito que ouvi alguém comentar que, em ano que não há mel, há enxames! Será este o caso, digo eu!
 De um deles cheguei a criar um núcleo pois estava muito forte. Dois alvéolos serviram para guardar e levar para outro apiário para inserir num enxame que estava zangareiro.
No apíario de destino do enxame criado, tinha um enxame, que tinha sido apanhado este ano e que tinha o ninho cheio de quadros de criação. Como mel não vai haver, acabei por o desdobrar também.
 

Num outro apiário, onde ia também para cortar a erva em redor das colmeias, aconteceu um caso curioso…
Estava junto a uma árvore a colocar líquido numa armadilhas e vejo num lageado um zangão a passear. Até aqui tudo bem, é normal verem-se por vezes a caminhar no chão em frente às colmeias, eis se não quando, de repente vejo pouco atrás do dito zangão, uma rainha! Como diz o meu filhote “hum, como vieste aqui parar?”.
Prontamente a apanhei e fui à carrinha buscar uma gaiola para a guardar e tentar ver de onde seria.
Chego à “mala da ferramenta” das rainhas, apanho uma gaiola onde coloco a rainha. Nesta mala, tinha os tais alvéolos retirados do enxame que tinha acabado de desdobrar. Nem me lembrava deles.
Olho para o lado e vejo uma rainha. Pensei, “Olha, a gaja fugiu!” volto a olhar para a gaiola e vejo-a lá. “Outra?” Olho para a caixa e vejo os alvéolos, “Olha nasceu uma das rainhas” vejo outra, a da gaiola tinha conseguido escapar pois nem me tinha apercebido que a patilha da gaiola estava partida. Apanhei-a e voltei a arrumar, desta vez, tapei o buraco. Volto a olhar para a caixa e vejo outra rainha! “Olha, as gémeas nasceram! J
  

Precisava de 1 rainha para o enxame que estava zangareiro e de repente fiquei com 3 rainhas nas mãos! Bem vamos lá tratar delas… Fui virado ao zangareiro onde introduzi uma das recém nascidas.
Chego ao enxame do lado, o que era o mais forte e verifico que tinha também alvéolos reais, pensei que fosse dali que fosse a rainha que tinha encontrado e introduzi-a lá. Sem sinal de agressividade, estranhamente.
Ao abrir os restantes enxames, verifico que apenas 1 não tinha sinais de criação de alvéolos reais. Este enxame talvez seja o único a dar-me a prova do mel deste ano, já com algum mel operculado.
No último enxame que abri, cheguei à conclusão que a rainha que tinha apanhado era dali pois era o único que já não tinha alvéolos fechados. Os que tinha estavas ruídos lateralmente. Precipitei-me na “entrega” da rainha encontrada. Neste acabei por lhe introduzir a ultima das gémeas que ainda tinha em mãos.

terça-feira, 26 de março de 2019

Vento e tempo seco

Estamos quase no fim de Março, chuva nem vê-la e nos últimos dias tem estado uma ventania doida que seca a pouca humidade que ainda resta nas terras resultante das poucas chuvas de mais um inverno.
Ainda hoje era noticiada a existência de vários incêndios, pelo menos um deles com alguma dimensão, com 3 frentes activas, tendo iniciado perto das 3 da manha. Os bombeiros contam com dificuldades acrescidas devido ao vento.
Já não bastava a seca e o vento, eis que volta a assombração dos incêndios...

Ou temos um um mês de Abril como diz o ditado "Abril, águas mil!" que venha compor ligeiramente o panorama ou estamos no inicio de mais um ano trágico, quer para a agricultura / apicultura, quer devido aos incêndios.

Infelizmente as entidades competentes, no que respeita aos incêndios, só se preocupa com o "velhote" sem posses nem saúde que não conseguiu limpar aquele pedaço de mato encostado à estrada ou a casa em vez de direcionarem as atenções aos que ganham os milhões com os incêndios.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Estrado Sanitário

Como já escrevi anteriormente, no ano passado, comprei estrados sanitários e substituí os normais de madeira na perspectiva de ajudar ao arrefecimento dos ninhos por causa dos ataques das velutinas nos meses de verão.
Em meados de Novembro / Dezembro, apliquei as chapas inferiores para "fechar" o fundo dos mesmos, tentando ajudar no agasalho dos enxames na época mais fria.
 


Em Fevereiro aquando da aplicação do tratamento para a varroa, aproveitei para limpar as chapas dos estrados sanitários, bastante lixo acumulado! Desde restos de cera da desoperculação dos favos, limpeza dos alvéolos após o nascimento das abelhas, patas e asas de abelhas (muitas), algumas varroas e formigas (mas nada de mais) e pelotas de pólen (mal empregado pólen).

    
 
 

Raspei tudo para o chão, relativamente próximo das colmeias. Não sei se as abelhas voltam a pegar nesse pólen mas está perto caso o queiram!

Muito cedo ainda para poder tirar conclusões mais assertivas, no entanto, logo à primeira vista, para além da ventilação que permite, o lixo não fica "colocado" no fundo da colmeia como por vezes acontecia com os normais estrados quando existia alguma humidade.


quinta-feira, 14 de março de 2019

Eles andam aí

Ontem numa operação relâmpago para roubar 2 clementinas nos meus pais e verificar se as armadilhas já tinham alguma vespa,

 
 começo a ouvir "aquele" zumbido maravilhoso e pensei "Bem as ameixoeiras já estão floridas e as abelhas estão a trabalhar bem nelas", olho para a dita e viam-se algumas abelhas mas não as suficientes para aquele "alarido" que se ouvia.

 

Dou uns passos mais e olho para o coberto onde tenho "depositado" o material (colmeias, alças, quadros, caldeira, broas de cera por acabar de limpar) e vejo então a razão do alarido na foto não é possivel ter a perceção da quantidade de abelhas que por lá andavam espalhadas), parecia que um pequeno enxame andava de volta daquelas pilhas de caixas com quadros sujos saídos da caldeira e quererem entrar por qualquer fresta que encontrassem.

Assim a modos que derrepentemente, saquei de uma colmeia de umas das pilhas, retirei-lhes os quadros, dei-lhe uma raspadela rápida, passei-lhe também o maçarico, fui buscar 2 quadros de meias alças sujos de mel mais 2 de cera estampada, tampo (curiosamente estava também ele sujo de mel) no óculo, um toalhete, teto e pronto. Ficou ali mesmo em cima de outra das colmeia amontoadas.

Hoje recebo uma mensagem: "A família aumentou!" :)


terça-feira, 12 de março de 2019

Revista "O Apicultor"

Já há uma data de anos que assino esta revista, começando ainda numa altura que, o queria das abelhas era distancia, assinava-a para o meu Pai que sempre teve o "bichinho" e a revista era uma espécie de "prenda".
Cá eu, recebia-a, limitava-me a ver a imagens e... puff, toma lá mais uma!

 

Não está aqui a minha colecção toda, algumas (bastantes) devem estar ainda em casa do meu Pai. Aqui tenho apenas algumas desde de 2008. Ver se as junto todas!



Prepara-se uma coisa, encontra-se outra!

Na semana passada, enquanto chuvia, dediquei-me a raspar / limpar mais alguns quadros, esticar arames e colocar laminas de cera (a que tinha disponível), deixando alguns quadros já preparados para "dar início" à época, enxames novos, desdobramentos, desbloqueio de ninhos.
 
O meu "soldadometro" de recurso!

 
Preparar mais alguma cera em broa para troca.

Na 6ª Feira a chuva deu lugar ao sol, a temperatura subiu e eu aproveitei para dar uma volta aos enxames com a intenção de verificar o estado geral deles principalmente de substituir alguns quadros de cera mais velha que ainda estivessem meio "abandonados" de criação introduzindo assim laminas novas prontas a serem puxadas pelas abelhas e rapidamente aproveitadas pelas rainhas para postura. Pelo menos esta era a minha intenção.

À chegada a um dos apiários, senti aquele agradável aroma a cera nova e néctar no ar e aquele zumbido que à muito não se ouvia... Chego-me à frente das colmeias e começo a ver o "transito congestionado" com alguns zangões à mistura. 
Ao abrir o primeiro enxame, verifico que estavam já a criar alvéolos reais! Bem, alteração de planos... Há que tratar disto... Aparentemente a mestra ainda estaria presente pois num dos quadros verifiquei a existência de ovos do dia, no entanto, não a encontrei.
Tratei de desdobrar aquele enxame e... os quadros que tinha levado, já não chegavam... Tinha de voltar a casa! Buscar mais quadros de cera e mais uma colmeia. 
Desdobrei também o outro pois o ninho estava também "à pinha" embora não houvesse sinais de começarem a puxar realeiras.

Enquanto isto, a caldeira derretia-me os últimos quadros de cera.

As armadilhas colocadas começam a apresentar as suas primeiras velutinas... menos uns milhares de vespas daqui a uns meses. Colocam-se mais umas quantas!





segunda-feira, 11 de março de 2019

Época da enxameação

Estamos em Março, vem vindos à época da enxameação.

Nestas épocas, parece-me que toda gente (ou pelo menos, a maioria) prepara sempre umas caixas, cortiços, núcleos, etc. para acomodar algum enxame que ande à procura de casa.
Umas mesinhas caseiras com isto e aquilo... umas pomadas e sprays, e agora uns toalhetes.

Desde sempre me lembro de ver o meu pai a preparar os cortiços para espalhar pelos montes na tentativa de apanhar uns enxamesitos, paixão que sempre teve e que eu não entendia (até ao dia!).

Ainda hoje, a velha cafeteira ou a panela já meia furada, onde coloca vinho tinto com açúcar amarelo, raminhos de rosmaninho, alecrim, caropas dos eucaliptos em floração, um pedaço de favo de cera velha, tudo fervia durante um bocado. Depois, antes de arrefecer, um pequeno ramo de alecrim, que servira para ir mexendo "a receita", untava os cortiços por dentro.
Por dentro, para além da untadela, coloca um pedaço de favo de cera velha dos quadros que se vão substituindo / renovando.
Hum... Era um aroma no ar que era um espectaculoso. Ainda é! Continua a fazê-los. 

Deixa-te disso! Não estejas com o trabalho. (já lhe disse);
Tem que ser, é o vício! É mais forte do que eu... (responde);
 

 

Para além dos cortiços que o meu pai prepara e se encarrega de colocar, preparo eu algumas colmeias com um ou dois quadros de cera puxada (velha) onde houvera criação, um quadro com uma tira de cera estampada e depois, consoante a disponibilidade, uns quadros só com os arames. Por cima, um toalhete.
 

 


Por acaso, desta vez o toalhete ficou directamente por cima dos quadros pois tinha-me esquecido da prancheta de agasalho. 
Estas caixas isco, deixo-as nos apiários, umas mais afastadas outras menos, das colmeias ocupadas, outras coloco na varanda de casa, no quintal e no terreno do meu avô.